Vila Velha, 07 de Setembro de 2010

 
 

Tenho falado e escrito, não poucas vezes, que o Sínodo Arquidiocesano se propõe tecer entre nós a Comunhão. Certamente todos me entendem quando me expresso desta maneira. Contudo, penso que poderia ser bom, para conseguirmos este objetivo, que fizéssemos uma pequena reflexão sobre esta expressão.



Viver em Comunhão não é como viver a unidade de um partido político, que consiste em um esforço para se conseguir a unidade de todos os membros. Quanto mais uniforme melhor para o partido que é dirigido sob uma forte ideologia, mentora e força motriz de todas as estratégias e objetivos a que o mesmo se propõe alcançar.



Quando falamos em Comunhão nós não entendemos uma unidade uniforme pautada numa ideologia. A Comunhão de que falamos é a Comunhão do Mistério de Deus Trino e Uno! Ela é nosso ponto de partida e dela nos alimentamos.



A História de nossa Salvação ensina-nos que nascemos, enquanto criaturas, deste Mistério de Vida (Gen. 1 e 2), frutos do Amor do Pai, Filho e Espírito Santo, e, pela mesma Trindade, renascemos e fomos elevados à dignidade de filhos (as), em momentos distintos, através da Palavra Criadora e da Palavra Redentora. A mesma ist´roia de nossa Salvação nos ensina que que o nossoHistória nos ensina que o nosso destino feliz é a participação deste Mistério por toda a eternidade.



Ora, quando falamos em “tecer a Comunhão” estamos querendo referir-nos à expressão sacramental deste Mistério Trinitário no meio de nós. Queremos, em gestos e atitudes, expressar no meio de um mundo egoísta, autoritário e violento, um caminho novo para a humanidade. Este caminho novo é o espaço da liberdade criativa, o espaço do amor desinteressado, altruísta, o espaço do perdão, o espaço da solidariedade, da justiça e da verdade. Falar ou desejar a Comunhão é desejar algo sublime.



A Igreja existe para isto quando ela se entende como Sacramento da Unidade. É a partir da compreensão deste Mistério que entendemos a nossa vocação e a nossa missão.



Cada ministério na Igreja adquire o seu sentido a partir desta experiência. O Bispo, o presbítero e o diácono são, sobretudo, servidores da Comunhão. Só serão santos se beberem desta fonte de vida. Não basta a eficiência, a técnica ou ser bom funcionário do sagrado. É preciso que sejam reveladores deste Mistério Trino no seu ser e fazer de todos os dias. O mesmo acontece com o cristão na sua vida cotidiana. Ele é alguém que, no exercício de sua profissão, revela algo mais do que a sua capacidade e habilidade profissional. Seu ser e agir no mundo é de religar em Cristo e por Cristo a criação e construir uma nova humanidade fiel e, sinal do Mistério Trinitário no qual está envolvido e comprometido desde o seu Batismo.



A família nesta perspectiva é o lugar da revelação do Mistério do Amor Trinitário, Mistério de Comunhão. As Comunidades de consagrados, as Comunidades Religiosas nada mais revelam, no seu ser e agir, do que este Mistério de Comunhão haurido na Trindade Santa, manifestado aqui e agora na história.



Pois bem, quando falo em “tecer a Comunhão” entre nós, falo da fidelidade de cada um de nós e da Igreja, desta Igreja Particular na vivência e expressão da Comunhão Trinitária. Esta é a Fonte de nosso ser e de nosso agir. O Sínodo Arquidiocesano se presta como um instrumento muito importante e útil no testemunho desta Comunhão. Aliás, acredito que o mais importante no Sínodo não são as conclusões a que se chegará, mas o dia a dia, no “tecer da Comunhão”, entre todos os participantes, toda a Igreja Particular que ora e trabalha, em volta de um objetivo comum, nas etapas do acontecer desta dinâmica sinodal. È a Igreja orante, consciente de sua missão que vai expressando no seu caminhar a Unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Fonte e Vida desta porção do Povo de Deus.



Refletindo, orando, caminhando juntos na acolhida fraterna, a Igreja, em Processo Sinodal, vai dando testemunho e vai anunciando a Razão de tudo o que acontece conosco: Jesus Cristo, Palavra Eterna do Pai que com Ele vive na Unidade do Espírito Santo.



É esta a Comunhão de que falo, anuncio e desejo que seja uma realidade viva em cada um dos batizados e em cada ministro ordenado e não ordenado. Por isso convido a todos que deixem o Espírito agir em seus corações. Nada nos perturbe, nada nos divida, nada nos impeça de vivermos, sobretudo e acima de tudo o Mistério de Comunhão. Sejamos bons tecelões desta Rede de Comunhão. Sínodo: caminhando juntos na acolhida fraterna e na esperança!



                                                Dom Luiz Mancilha Vilela,ss.cc.



 

 

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